Com a chegada de mais uma quarta-feira temática no blog, achei válido trazer algo sobre uma das séries mais fofas
My Mad Fat Diary é uma série britânica voltada para o público teen, e conta a história de Rachel Earl (Rae, para os íntimos. Sou íntimo pois chorei bastante), uma garota recém-saída de um hospital psiquiátrico.
Rae (Sharon Rooney) tem 16 anos e não se sente confortável com a própria aparência. Assim que deixa o hospital, reencontra a amiga de infância, Chloe Gemell (Jodie Comer), que logo a apresenta ao seu novo grupo de amigos - pessoas maravilhosamente incríveis que não hesitam em deixar Rachel entrar em suas vidas. É quando conhecemos as pérolas preciosas que compõem a gangue (destaque para Finn e Archie que são as melhores pessoas do mundo, obrigado).
As cenas se dividem entre os momentos de lazer que Rae têm com os amigos, as dificuldades encontradas em casa e as sessões com Dr. Kester (Ian Hart), seu terapeuta. Apesar de dar destaque a quase todos os personagens, o foco da série se mantém nas emoções de Rae: desde as coisas que anota em seu diário até as reações que cada momento provoca dentro dela.

Uma das coisas que mais me chamou atenção foi a forma como construíram as dificuldades pessoais da personagem. Rae é humana, tem problemas normais e amigos normais e sonha acordada como qualquer um de nós. Mas ela não gosta do corpo que carrega, e a forma como as coisas acontecem afeta seus pensamentos de forma diferente. Sua auto-estima é extremamente frágil, e ela é desconfiada, por muitas vezes pessimista, e tem medo de que os outros descubram a verdade - até então, todos acreditavam que os meses no hospital psiquiátrico haviam sido passados em uma viagem. Ela tem crises de pânico, e se mutila, e os pensamentos suicidas vez ou outra aparecem. É nesse momento que a série se destaca: ela não romantiza a luta diária de Rae, como acontece com outras séries que inclusive nem deveriam ter sido lançadas porque olha o perigo disso, Brasil. Pelo contrário, quem assiste percebe logo que alguma coisa está errada, e que ela precisa de ajuda. Não existe uma grande vingança que motive sua tristeza, não houve algum romance não correspondido que a tenha levado até o hospital. Rae é assim porque ela está doente.
"Querido diário, é fácil ser corajora e é fácil ser confiante quando se é bonita e sensual, e quando a roupa serve. Mas este não é o mundo em que vivo."
- Rae, My Mad Fat Diary
O que nos joga na segunda maravilha dessa obra de arte da modernidade: the gang. Independente da crise pela qual esteja passando, Rae sempre pode contar com os amigos. Pode parecer algo simples, mas quem assistiu sabe que o apoio que deram a ela fez toda a diferença em vários pontos importantes da história. Apesar dos dramas e de possíveis desentendimentos, ela consegue se sentir bem perto do grupo. Eles a amam, e ela os ama, e está tudo bem cada um ser do jeito que é, porque eles são amigos, e não estão ali pra julgar a vida de ninguém. Assistindo a série, foi impossível não se imaginar fazendo parte do grupo. Aqueles bolinhos fofos são tão maravilhosos e compreensivos e dá vontade de apertar a bochecha de todos eles e apertar outras coisas do Finn também, parei. É com eles que temos as melhores cenas, as melhores aventuras, as melhores conclusões de probleminhas onde todo mundo sempre termina se amando.
E por que My Mad Fat Diary é a coisa mais maravilhosa do mundo?
Porque tudo o que Rae aprende durante o tratamento, nós aprendemos junto com ela. Cansei de me pegar chorando enquanto assistia porque de repente eu percebia que aquilo também servia pra mim - e pra muita gente que muitas vezes nem sabe que têm problemas consigo mesmo. Rae é tão humana e real e a série é de um tom realista tão absurdo que você se sente impactado pelo aprendizado dela, porque de repente ela é sua amiga, e você viveu aquilo tudo, e as sessões de Kester também fazem com que você reflita sobre seus próprios sentimentos.
Essa série foi uma coisa única na minha vida, porque eu nunca tinha acompanhado algo tão simples e tão forte ao mesmo tempo. Além de, é claro, iniciar debates sobre coisas que precisam vir à tona, mas que as pessoas tratam como tabu - como depressão, abuso sexual e suicídio, por exemplo.
Quero terminar o post deixando uma das minhas cenas preferidas, que me faz chorar toda vez que surge nas minhas redes sociais. Amém My Mad Fat Diary por ser tão maravilhosa.
Alerta de possíveis gatilhos!
Lembre-se: você não está sozinho 💛
Post escrito por Jorge Castro
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CVV (Centro de Valorização da Vida)
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